Uma sociedade para a Copa do Mundo – FIFA2010

Joanesburgo está mostrando ao mundo seus esforços exigidos pela FIFA2010

Quando a África do Sul foi escolhida para sediar a Copa do Mundo de 2010, um dos pré-requisitos da FIFA era dar a um país em desenvolvimento a chance de provar para o mundo e para si que, com trabalho sério e cooperação, um evento dessa grandeza poderia ser sediado sem maiores transtornos, aquecendo a economia local e promovendo a interação entre várias culturas.

Em 2008/2009, as cidades começavam a virar um canteiro de obras no país africano. Os estádios estavam em seus esqueletos, e pouco se falava em Copa. Quanto ao custo de vida, os preços para um turista brasileiro eram razoáveis. Apesar do câmbio nos favorecer (1 real = aproximadamente 4 rand, assim mesmo, sem plural), mas convertendo os valores, os produtos saem em média um pouco mais baratos do que no Brasil.

Para quem compra a passagem aérea com bastante antecedência, também é possível conseguir uma tarifa que não chega a 1500 dólares, ida e volta. A estadia, para quem não liga em dividir o quarto, como nos albergues, estava na faixa de R 80 a R 100 (rand). Porém, como a conhecemos na Região dos Lagos, a temporada muda muita coisa.

Eis que chega o 1º de junho, dia da viagem. Para quem sai do Rio, deve pegar um avião até Guarulhos, de onde sai o voo da South African Airways para a África do Sul, companhia mais econômica com voos diretos. De lá até Joanesburgo são oito horas de viagem, algumas delas de desconforto, pelas poltronas da classe econômica reclinarem menos do que uma poltrona de ônibus. Pois bem, saímos às 18h de Guarulhos e chegamos às 7h em Joanesburgo, já considerando o fuso horário, que é de cinco horas a mais.

Como disse no início da matéria, esta Copa do Mundo representou uma reestrutura completa em vários aspectos da cidade, principalmente no da segurança e organização.

Para qualquer imigrante no mundo, o primeiro passo nos aeroportos é a identificação pelo passaporte. Assim como para várias nacionalidades, na África do Sul os brasileiros não necessitam tirar previamente o visto. É só desembarcar, passar pela imigração, mostrar o passaporte e obter o visto de estadia por três meses.

As mudanças da primeira visita ao país para a última quarta-feira, quando cheguei, começaram a ser percebidas ainda no aeroporto, o Tambo International Airport, um dos maiores do mundo. Nos guichês da imigração, os oficiais agora possuem uma câmera sensível a temperatura. A utilidade disso?

Além do computador capturar uma imagem atual do turista (não ficando preso à foto do passaporte), a máquina identifica organismos fora do normal. Bom, só soube disso porque eu fui um desses organismos. Como havia sentido ainda no avião, estava com febre. A onda do vírus H1N1 parece ser o principal motivo da investigação.

Antes de oficialmente entrar no país, fui levada a uma clínica dentro do aeroporto. O motivo da minha febre foi apenas a mudança de temperatura dos últimos dias em Cabo Frio, mas tudo foi notificado. Fui medicada e finalmente passei pela imigração.

Outro ponto de preocupação das autoridades é eliminar a fama do aeroporto internacional de Joanesburgo ser um “engolidor” de malas. Como vi em uma reportagem, há algum tempo atrás, o extravio e roubo de malas é uma realidade constante na África do Sul. Não sei dizer quanto a isso se as coisas mudaram, mas nesse aspecto, não virei estatística.

Quanto aos preços, já pude perceber a inflação da “estação FIFA”. Um simples chip de uma operadora local me custou R 149 (rands). Há pouco mais de um ano atrás, o mesmo custava R 0,99. A telefonia como um tudo ficou mais exigente.

Aos turistas estrangeiros, para se ter um número de telefone celular aqui, é preciso deixar uma cópia do passaporte no estabelecimento que vendeu o chip.

Mas o que foi mais inflacionado, em uma análise rápida, foi a hospedagem. Um lugar no dormitório dos albergues está custando por volta de R 300. Um quarto só para você sai a uns R 500. Os hotéis, três estrelas no mínimo, podem chegar a R 1000 a diária. Para hotéis cinco estrelas os preços não estão nem à mostra na Internet, mas algo em torno de R 5000 a R 10000.

Já pude sentir também a razão pela qual a seleção brasileira teve que fazer um treinamento em Curitiba antes de vir para cá. A temperatura chegou a 6º C hoje pela manhã e até agora não aumentou muito. Aquecedor é um artigo de primeira necessidade, assim como a famosa herança da colonização, o chá quentinho da tarde.

Por conta do feriado, fechamos o Jornal de Sábado na quarta-feira, por isso, as notícias da Copa, diretamente daqui, virão na edição do dia 12 de junho, com os detalhes do Mundial. Entretanto, pela Internet, a partir de hoje, os internautas podem acessar as matérias da África do Sul e do que ela está vivenciando com a Copa do Mundo. Afinal, um olhar crítico da sociedade e o da logística que uma Copa do Mundo cria, nos ajuda a pensar qual será o desafio para 2014.

Ana Monteiro
Correspondente na África do Sul

http://jornaldesabado.com.br

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